September 5th, 2010 -- Ivan Pereira

A beleza feminina…3

Este é um daqueles posts escrito pelo Marco no Bitaites que eu depois de o ler digo: Chiça este gajo tirou-me as palavras da boca. Sim concordo inteiramente com o que está escrito, apenas não tenho a qualidade literária necessária para o fazer.

Passo então a transcrever o post:

Não leves a mal, mas beleza não é fundamental

Há mulheres que se julgam sexy por serem boas como o milho. Acho que estão enganadas e chego a ter pena de algumas, sobretudo das mais vaidosas, porque são tão estúpidas que nem percebem que os bons rabos também envelhecem e que a expressão «boa como o milho» diz mais sobre nós do que sobre elas.

Não duvido que muitas mulheres que fazem operações para aumentar os peitos o façam em primeiro lugar para si próprias, mas mesmo assim este triunfo do silicone sobre a pele continua a impressionar-me. Que misteriosa força oculta trabalha a mente feminina a ponto de fazê-la acreditar que a principal condição para se sentir melhor enquanto mulher é aumentando o tamanho das mamas ou perdendo uns quilos?

Em tempos mais antigos das sociedades humanas, quando a comida era ainda escassa, a gordura era considerada um sinal de beleza. O que preferem, afinal? Uma sociedade onde a beleza é um valor cultural ou uma sociedade onde a beleza é um valor de mercado? Como já disse uma vez e não me canso de dizer, vivemos sob a ditadura dos corpos Danone.

Uma gordinha que passe por mim na rua (eu escrevi gordinha, não obesa, a obesidade é um problema de saúde) pode ser infinitamente mais sexy do que qualquer escanzelada que se passeie nas passerelles, mas só com um enorme espírito de independência essa gordinha conseguirá sentir-se sexy. A sociedade não encoraja pessoas com um peso acima da média a sentir-se bem porque a indústria ligada aos produtos de beleza e emagrecimento deseja tê-la em primeiro lugar como cliente.

Na peça Gengis Entre os Pigmeus, de Gregory Motton, diz-se que o segredo do negócio é fazer com que as necessidades estejam ao serviço da oferta – e não o contrário. Se essa necessidade não existir, então usam-se doses massivas de publicidade para a criar. Basta ver o hype gerado pelo escandalosamente caro iPhone para se perceber que as pessoas estão dispostas a qualquer sacrifício para satisfazer esse tipo de necessidades artificiais.

O que portanto acontece com as mulheres e cada vez mais com os homens – sobretudo desde a massificação dos meios de comunicação – é que se deixam escravizar por padrões de beleza que estão para a beleza como o iPhone está para os telemóveis: assentam na conversa fiada, na necessidade de lucro, na manipulação psicológica, na engrenagem de um sistema tipicamente capitalista. Desculpem a conversa mais politizada, mas sou de facto um gajo de esquerda e é assim que vejo as coisas.

Ser a publicidade a dizer-nos o que é bonito e é feio torna-se ainda mais ridículo se pensarmos nas possibilidades do Photoshop, um software capaz de retocar o rosto ou um corpo até que estes correspondam aos padrões artificialmente estabelecidos. Vamos tomar como modelo um rosto retocado num computador? Vivemos numa ilusão criada em nome do lucro – e só nos vamos safando porque o amor e a inteligência continuam a proporcionar-nos os momentos de verdade que precisamos na vida.

Sexy é uma característica que se manifesta nas mulheres através da inteligência e do sentido de humor, da personalidade, no olhar, na capacidade de dar e exigir. Vestir uma camisola com um grande decote, inclinar-se ostensivamente para um gajo e arrumar as mamas de silicone em cima da mesa enquanto conversa não é lá muito sedutor, muito menos sexy. Essas mulheres colocaram-se ao nível do iPhone que admiramos nas montras. São gadgets.


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