September 7th, 2010 -- Ivan Pereira

Regresso

Bem já faz algum tempo que este espaço se encontra praticamente parado e também tal como prometi descrevo um pouco do que se passou e que forçou com que parasse pouco neste espaço.

Quanto à historia do car jacking do qual fui vitima não tenho muito para contar nem muito apetite para o descrever pela milionésima vez. Fica apenas a informação que fiquei sem a minha carrinha, portátil, documentos, carteira e mais um conjunto de coisas que se encontravam dentro da carrinha, das quais algumas demorei muito tempo a digerir, outras ainda não me convenci bem que as perdi para sempre, tais como a carrinha. Abaixo seguem as fotos da carcaça com que estes cabrões assaltantes me presentearam no dia seguinte.

Após o roubo e a descoberta no dia seguinte da carrinha, o tormento não acaba, pois facilmente fiquei frustrado ao saber melhor a frequência com que isto acontece e o que acontece a quem pratica este tipo de crimes. Basicamente não lhes acontece nada mesmo que sejam apanhados em flagrante delito, para grande frustração e irritação minha e dos guardas que os tentam apanhar. A estes tiraram-lhes qualquer tipo de poder passando quase todo para a mão dos criminosos a quem os senhores Juízes à luz da constituição Portuguesa, mandam para casa a termo de residência e identidade, que estes não cumprem, mesmo que sejam reincidentes no crime. Fiquei completamente parvo ao perceber como tudo isto funciona, bastando estes criminosos alegar que o fazem para se alimentarem, ou que tem problemas sociais, claro não passando tudo isto de uma grande treta. Uma vez em casa tratam de continuar a fazer a única vida que conhecem. Óbvio que o mesmo não se aplica a quem se defenda destes criminosos, pagando com penas pesadas e por vezes com indemnizações altas aos criminosos por defender apenas o que é nosso. Acontece o mesmo com os agentes que perderam nestes últimos anos qualquer autoridade sob pena de poderem cometer abusos, mas esqueceram-se que quem comete mais e piores abusos são os criminosos. São estes assim tratados como vitimas e os restantes como conscientes e responsáveis pelo que fazem.

Reparei num dos agentes que esteve comigo com mais de 30 anos de serviço, a sua frustração e raiva, por não poder fazer nada, o que não acontecia há uns anos atrás onde a autoridade era símbolo de respeito. Este mesmo agente, tal como muitos outros chegam ao cumulo de perderem meses atrás de um criminoso para o apanhar em flagrante delito e quando o conseguem, levam a tribunal com provas, tendo que seguida os mesmos que trazer o criminoso a casa sob ordem do Juiz. É claro que ainda são gozados à vinda do tribunal pois ainda os têm que levar a casa. E é claro também que podem ser altamente insultados, e não podem insultar pois correm o risco de ter um processo.

Eu acredito que nem 8 nem 80, mas deve ser dada mais autoridade e poder às nossas forças policiais. A repressão infelizmente tem que fazer parte do seu vocabulário, senão vamos chegar a um estado altamente insuportável.

Posto isto e face ao que aconteceu, o caso está na Policia Judiciaria, pois houve um morto envolvido e não sei de mais nada, pois não me dizem, alegando estar sob investigação. Resumindo e concluindo fiquei sem direito a nada e mesmo que descubram quem o fez (que ao que parece já o sabem há muito), não vai ter dinheiro para pagar e como resultado disso eu fico na mesma sem o que me pertencia. É a justiça que temos. Já agora aproveito para deixar um apelo a alguém que tenha conhecimento de alguma verba, fundo, ou seguro do estado que possa cobrir algo, que em avise.

Sei que tudo isto agora parece menos grave do que foi na altura, mas aquilo que sentimos quando nos tiram gratuitamente as coisas pelas quais trabalhamos e nos pertencem, sem consequências e sem podermos praticamente fazer nada, deixa-nos num estado de raiva e ódio perante estes ….

Quanto à carrinha tenho um monte de papelada e burocracia para ultrapassar para a levar para abate. Além do imenso trabalho que tenho em renovar todos os documentos, as despesas não são poucas, e a facilidade ainda não é a desejada. Talvez a partir de junho com o cartão único tudo se faça mais facilmente sem tantas despesas.

Quero desde já agradecer aos meus grandes amigos que fizeram com que tudo isto fosse mais fácil de ultrapassar, pois ficar sem quase nada de um momento para o outro é complicado. Estes ofereceram-me gentilmente o telemóvel com que ando, um SonyEricson v630i. Mas melhor que o telemóvel foi o apoio incondicional e ajuda que me deram em tudo o que precisei. Nomes não preciso aqui enunciar, pois eles sabem quem são, tal como sabem que são pessoas simplesmente fantásticas. Deixo também um beijo especial à Angela por motivos óbvios.

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As imagens não estão muito boas mas chegam para ilustrar o que me restou.

3 Responses to 'Regresso'

  1. 1Rui Carlos Gonçalves
    April 26th, 2008 at 6:53 pm

    Infelizmente é o mundo em que vivemos. Anda toda a gente preocupada com os direitos do criminosos, e ninguém se preocupa com os direitos daqueles que sentem na pele as consequências da criminalidade.


  2. 2stigma
    April 26th, 2008 at 7:54 pm

    Cremos o BOPE em Portugal… Olho por olho, dente por dente…


  3. 3pedro
    April 28th, 2008 at 1:33 pm

    Totalmente justa a tua frustração, raiva… Não és o único a sentir isso e de facto a impotência para provocar a mudança é das piores coisas que pode haver… Haja pelo menos vontade para continuares em frente e o que precisares os amigos andarão por aqui… Abraço


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